BLACK METAL PORRA

Black Metal, Porra!


Sun Devoured Earth - Sun Devoured Earth (2010)


Sun Devoured Earth é um projeto sobre o qual eu ainda não concretizei muito bem minha opinião... Sempre tenho um pouquinho de preconceito com essas bandas que soltam uma quantidade absurda de releases por ano e cuja gravação parece ser sempre feita em casa. Não me levem a mal, o Njiqahdda é uma banda que eu admiro bastante e cai nessa definição de "um cuzilhão de álbuns por ano". As bandas que mais me levantam as suspeitas caem no gênero pós-black metal ou black metal depressivo, e o Sun Devoured Earth é um pouco dos dois.
 Bom, esse é o primeiro full-length do projeto de um garoto provavelmente semi-autista, proveniente da Letônia. E eu preciso dizer que eu fiquei bastante impressionado quando ouvi isso! Já estava acostumado com a estética concretizada dessa banda-de-um-homem-só, que veio nos discos posteriores a esse: um black metal/shoegaze com um toque de eletrônico feito de um jeito bem caseiro e às pressas (às vezes fazendo um som que beira o genérico), o que não é o caso desse debut homônimo.
 Pra começar, o que Vadim Vasilyev fez aqui é uma mistura de Black Metal depressivo, Ambient music e Drone/Doom, e por mais que essa mistura pareça resultar num disco ultra-sonolento, ela é bem interessante e consegue cativar bastante o ouvinte.
 Nada de vocal, melodias de guitarra mínimas, muito barulho (ou Noise, como os anglófilos gostam de dizer), bateria eletrônica que não tem a menor pretensão de se parecer com uma bateria de verdade e muita, eu digo MUITA, ênfase numa atmosfera carregada.
 Pode não ser nenhuma obra-prima de outro planeta, mas é muito bonito, elegante e agradável de ouvir. Vale a pena!

[3.0/5.0]


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Strid - End of Life(Demo, 1993)


A lendária demo End of Life...

Strid é o medo de janelas que te chamam, de algumas pílulas a mais, do pequeno aumento na pressão do seu dedo necessário para o gatilho ceder. Lembrem-se, ao longo do pulso e não através.

[4,0/5,0]

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Dödkvlt - II (2011)


Dödkvlt é uma banda que vale a pena. O projeto finlandes de Lord Theynian é um pedaço sangrento do mais delicioso metal negro. Quando o maior defeito de um álbum é o fato da bateria ser programada é porque a coisa tá boa.

II se divide claramente em dois estilos e duas fases no seu dinamismo:

O primeiro estilo, um Black Metal de riffs pútridos que troca entre tempos médios e blast-beats...isso sem falar da maestria rítmica desses riffs - intoxicante.

TODAVIA nimguém é de ferro e no segundo estilo há um forte lado melodioso(com até a inclusão de sintetizadores classudos) em todas as faixas.

A primeira fase se compõe de músicas mais curtas cuja atmosfera é de pura agressão. A segunda fase é de faixas compridas que invocam a ambientação do inferno ao seu lado, o vocal de Lord Theynian aqui se confunde com a voz do falso pecador torturado nas mãos de Satã.

E agora tangenciei o meu ponto preferido desse lançamento: SATÃ. O Satã de II não é a elegante cabra maldita das bandas mais clássicas, muito menos é o deus da misantropia do qual Deathspell Omega é arauto. O Satã de II é uma entidade de maliciosidade vil. Recordo-me de ouvir a introdução de "Of Deep and Dark Waters"(a primeira música da segunda fase que teorizo) no elevador subindo para meu apartamento, e a subida coincidiu com a introdução um pouco antes do primeiro vocal...a aura foi tão forte que por algum motivo eu tive uma certeza de que eu veria do outro lado da porta do elevador uma sombra me convidando, e eu aceitei o convite. Não tinha nada, mas até hoje eu me lembro com clareza da empolgação antes de abrir a porta. A força com que a mensagem é passada nas músicas do Dödkvlt é intensa. A maliciosidade supracitada se deve muito à clareza do vocal, entender as palavras ditas dá uma sensação muito forte.


Não vou estragar a experiência de ouvir as nuances dessas faixas, porém tenho dois comentários finais: que guitarra inspirada da porra e uma faixa bônus boa dessas não pode ser faixa bônus nem no Japão.

[4,5/5,0]

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Arckanum - ÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞ (2009)


Como não rolou o post comemorativo do jeito como a gente queria, decidi reviver as publicações com uma das melhores coisas que tenho ouvido ultimamente.
 Se antigamente Arckanum era uma das bandas que eu mais sacaneava, depois de ouvir esse disco eu calei a boca! Esqueci o clipe derretedor de cérebros de "Grava Fran Trulen", esqueci a discussão besta sobre caos-gnosticismo, esqueci até essa capa e logo feios do caralho!
 O que a gente tem aqui não é nada de experimental ou revolucionário. Na verdade, conhecendo os trabalhos anteriores do Shamaatae não tem nem como suspeitar disso. Pelo contrário, "ÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞ" é um exemplo de Black Metal ortodoxo e contemporâneo.
 O que eu acho mais atraente nesse disco é justamente o fato dele ser super melódico e variado, mas ao mesmo tempo sem nenhum resquício de frescura (lado ortodoxo). As músicas são simples, tradicionais, lindas e direto ao ponto! Há momentos em que o Shamaatae tira um pouco o pé do acelerador e dá espaço pra música respirar, é claro, mas mesmo os momentos lentos são tão dramáticos... você nunca tem a impressão de que a banda está "pegando leve" por falta de fôlego.
 Se é pra destacar alguma faixa do álbum, eu teria que dizer que "Þann Svartís" e "Þursvitnir" (a segunda e quarta faixas, respectivamente) merecem maior atenção, justamente por serem as mais emocionantes do disco (pelo menos na minha opinião).
 O único defeito de "ÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞÞ" é a sua faixa "ambiente": "Þyrstr", que é longa demais e meio rasa. Mas isso é bobagem... Pula essa porra e curta um pouco de pancadaria bonita.


[4.5/5.0]


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Thyrkron - Descendente Arcanjo Gabriel(EP, 2012)

Post número 300. Boa parte da falta de posts é por não sabermos o que fazer com isso e na verdade não importa. Thyrkron é a banda dos donos desse blog então não tem resenha, só o link. Gravamos isso em fevereiro/março desse ano. O tema das letras é anti-religião.

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Cold Body Radiation - Deer Twillight (2011)


Quando um novo sub-gênero ou movimento artístico surge e "explode", ele tem um desses dois destinos:
1 - Ou ele segue normas vagas e expande seu estilo, explorando elementos novos, se renovando e se tornando cada vez mais forte.
2 - Ou ele começa (incidentalmente ou de forma planejada) a criar um conjunto grande de regrinhas e fórmulas que o limitam e, por consequência, pare um monte de novos artistas iguais uns aos outros. O gênero, então, enfraquece e acaba esquecido.
 Por mais que o pós-Black Metal tenha potencial, por vezes  ele parece tender à segunda opção. Parece que, cada vez que olho, mais um cuzilhão de novas bandas obscuras do gênero surge, fazendo um som IGUAL àquele demonstrado pelo Heretoir, pelo Dopamine, Onryo, Shyy e etc. (Todas bandas participantes do split/compilação "The World Comes To An End In The End Of A Journey")

Mas esse não vai ser um post deprimente! Porque uma das bandas que mais tem me renovado as esperanças é o Cold Body Radiation!

 Apesar de em "Deer Twilight", o projeto musical (CBR não é uma banda, pois é composto de uma pessoa só) ter se aproximado um pouco das bandas citadas acima, ele permanece muito bom, fresco (no bom sentido) e, acima de tudo, bem feito. As dissonâncias e o lado agressivo do debut da "banda" foram deixados um pouco de lado em "Deer Twilight", com M. (sim, esse é o pseudônimo do músico) apostando mais no aspecto melódico e sereno das novas músicas. A produção também ficou bem mais interessante de um disco pro outro, com a nova produção valorizando muito melhor os arranjos e a sonoridade de cada instrumento e voz utilizados na gravação.

 Vale a pena notar que uma das coisas que mais diferenciam o Cold Body de outras bandas do gênero é a sua maturidade musical, e o capricho empregado na composição das músicas. Dentre todas as bandas que citei aqui nesse post, o projeto holandês é o que mais emprega variações de ritmo, passagens inteligentes e riffs diferentes nas suas músicas, o que dá um ar mais adulto e "profissional" ao projeto.

Recomendadíssimo! Quer dizer, exceto para os mais ortodoxos do Black Metal.

[4.5/5.0]


Por D'Apremont


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Ave Maria - Chapter I (2011)


Ave Maria é classificado como Experimental Black Metal por aí. E não consigo entender mais essas intitulações de hoje em dia... 

Apesar das músicas terem estruturas consideradas modernas para o black metal, a sonoridade da banda é old-school. A produção, as melodias da guitarra e o inacreditável vocal no melhor estilo "death-growl" de ser, criam esse clima que pelo menos para mim lembra muito bandas mais antigas de death metal. (Não é a composição musical que lembra Death Metal). 

Talvez o "Experimental" esteja nas estruturas não lineares, no tempo médio das músicas e nos diferentes tipos de vocais que de vez em quando aparece em Chapter I. Uma coisa é certa, o estilo das músicas é bem único e imponente. Os alemães tomaram uma postura e fizeram um álbum convicente que não apresenta nenhum clichê "blackmetalístico".

O negócio desse álbum é o climão que ele tem.  Quis conhece-lo por que li em um blog que as letras são mais trabalhadas do que o normal e a qualidade era boa. Mas nunca as achei para verificar isso. Essa suprema capa também foi um dos motivos que me fez dedicar um tempo a essa banda. E que bom que eu o fiz!

"Coitus Behind Moral Walls". Faixa de número 2. É uma das músicas que mais tenho re-ouvido. Ótimo!

[4,0/5,0]





Svartrit - I (2010)




Svartrit é uma dupla norueguesa. Puta que pariu. Se você acha que sabe o que é um álbum feito 100% de harmonias se entrelaçando e gélidos tremolos melodiosos você não viu nada até ouvir isso.

Os três álbuns do Svartrit foram lançado no mesmo dia e ainda estou me recuperando da pancada que é I, se todos os três tem esse nível de frieza e cirurgica concisão musical como banda não tem muito o que fazer, eu morro feliz.

I não é só um monte de tremolos geniais, blast-beats e uma correnteza de ódio, não...I tem dinamismo e variação, Svartrit incorpora vários elementos mais modernos do Black Metal sem chegar nem perto de perder sua pureza de 100% Black Metal tradicional. As sequências de riffs com trocas de ritmo em meio às várias harmonias chega a lembrar Krallice. É...o nível de bobeirinha é fechado no zero.

I é totalmente baseado em guitarra, mas tudo foi feito com atenção aos mínimos detalhes. Eu acho que é o que se esperaria de um cara que grava três álbuns pra lanaçar tudo no mesmo dia. Nada ali foi gravado à toa. Tudo tem significado. Cada batida do pedal duplo, cada vez que os teclados entram com classe no fundo pra complementar o timbre, tudo tem significado.


Não sei o que dizer de tamanho achado do Black Metal. Como se explica um álbum com melodias tão cativantes que faz o black metal mais melódico possível que porém nunca tira a mão do seu pescoço ao fazer isso...um álbum que consegue ser permeado de variação e dinamismo e mesmo assim é tão hipnótico quanto Det Som En Gang Var(a faixa). Não vou falar sobre as músicas separadamente. Talvez algum outro dia quando eu tiver melhor da cabeça. Depois que se entra na labirinto insano de Sir N. você sai diferente.


[4,5/5,0]

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Cara Neir - Part I / Part II (2009)


O primeiro álbum do Cara Neir, Part I / Part II, é dividido em dois discos assim como o título sugere.

A Part I :  a primeira parte possui 10 faixas e tem a duração aproximada de 21 minutos. Ela é constituída de músicas-pilulas (se você me permite assim chamar). Curtas explosões de black metal "tutateado". Grosseiro, cru e direto ao ponto. Todas as músicas tem por volta de 1 a 2 minutos de duração. Completamente útil quando se quer ouvir algo divertido e sem enrolação. Bom para caralho!

Já a Part II...  Aqui as coisas mudam. Parece até que eles usaram outro canto do cérebro para compor. Dessa vez são apenas quatro músicas que na duração total marca-se 27 minutos. O incansável post-rock se reune com o doom e surgem músicas mais lentas e atmosféricas. Enquanto a primeira parte era agressiva e não parava um segundo, essa segunda permanece leve e calma durante seu percurso. Os vocais são escassos e o que mais se valoriza é o climão que as músicas tem. Ouve-se um som completamente mais sereno comparado a primeira parte do disco.

Não é a primeira vez que vejo uma banda separar por disco dois conjuntos de músicas diferentes em um mesmo lançamento. Lembra do grandioso Sanojesi Äärelle do Horna ? E talvez você pense que essa ideia, um tanto quanto audaciosa, pode tornar o álbum confuso e inexpressivo. Bem, não foi o caso do Cara Neir, e nem do Horna. E não conheço mais nenhuma banda que fez algo semelhante.

A mistura de estilos que o Cara Neir faz em ambas as partes é maravilhosa para mim. E da pra perceber que nesse álbum eles estavam experimentando e conhecendo o próprio som. Não existe nenhuma cópia física do disco e eles disponibilizaram o download do disco inteiro no bandcamp deles. Pelo visto eles estavam preparando o terreno para o segundo álbum que é com certeza melhor e mais evoluído. Por que é uma mistura das duas partes acrescentado de um toque a mais de personalidade. No entanto é super recomendável  saber como eles já mandavam bem desde o início.

[4,0/5,0]

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Dark Funeral - The Secrets of the Black Arts (1996)


Eu não costumo postar o que quase todo mundo já ouviu mas como o Dark Funeral fez alguns shows no Brasil..

The Secrets of the Black Arts foi o primeiro CD deles e apesar de não explorar muitas coisas novas é uma escutada que vale a pena.

Secrets é basicamente um contínuo murro do tradicional black metal blasfemador. Tremolo atrás de tremolo Themgoroth cospe cirurgicamente a devoção à Satã ao som de bateria incansável.

Estruturalmente o álbum é simples. As faixas são relativamente curtas e tem refrão. O foco é na constante agressão, nos vários riffs de qualidade e na dinâmica do vocal com os riffs.

No final que posso dizer sobre The Secrets of the Black Arts e sobre Dark Funeral de um modo geral é que não são e nunca tentaram ser a melhor banda do mundo. Mas se você está no clima para a adoração a satã acompanhada de Blast Beat é uma puta boa escolha.

 (E não deixe de ir num show deles. NUNCA.)

[3,5/5,0]

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QUINTA-FEIRA, 22 DE DEZEMBRO DE 2011

Wolves in the Throne Room - Celestial Lineage (2011)


Post do último álbum da banda mais citada no BMP! E qual é dessa importância toda?

Que WitTR influenciou muitos novos expoentes do black metal é indiscutível. No entanto, muitas outras bandas influenciaram muitas outras também. Então por que vejo tanta sardinha para o lado dos Yankees? Inclusive não posso deixar de citar a PhD em influenciar: Burzum. Que por sinal a estrutura típica de álbum, quatro músicas longas, presente em todos os álbuns anteriores do Wolves, é herança Vargniana. Talvez eu não queira, ou esteja com muita preguiça para dar minha opinião sobre o assunto. Vou falar o que acho desse álbum e só. Afinal, a internet tá cheia de informação que pode te ajudar a tirar tua própria opinião sobre essa (merecida) aclamada banda.

Celestial Lineage é pau a pau com o anterior, Black Cascade. Mas acho que no finalCelestial Lineage sai vitorioso nos momentos épicos e super dramático como Wolves in the Throne Room nunca fora antes.
Se você já conhecia essa banda não espere muitas mudanças. As mais notáveis talvez seja na produção e em como as músicas estão mais ríspidas. Ainda com muita coisa ambient e atmosférica, mas quando as músicas engatam, a vontade de fazer cara feia e bater a cabeça é maior do que em qualquer outro álbum já lançado por eles.

Não acho que tenho a necessidade de me alongar muito, sendo que com certeza qualquer um que ouve Black Metal deve checar cada álbum novo lançado do WitTR. Momentos no mínimo bons serão certos com certeza. 

E deixo aqui a melodia mais intrigante do álbum para mim :  Astral Blood - 07:35

[4,0/5,0]


Cara Neir - Stagnant Perceptions (2011)


Porra, só capa foda nos últimos posts, não?


Cara Neir é uma banda pela qual eu me encantei já faz algum tempo. Ouvi o primeiro álbum, Part I/Part II,  e sempre tive vontade de que ela estivesse no blog. Há alguns dias perambulando na internet, vi que eles tinham lançado um novo álbum esse ano. E aqui ela está no BMP! com seu mais recente trabalho, o glorioso Stagnant Perceptions. Também postarei o primeiro álbum mais tarde.

O discurso que fiz no post anterior do Altar of Plagues sobre variedades no black metal poderia muito bem ser dito nesse post e se encaixaria perfeitamente para encher mais linguiça. Porém, não vou focar nisso e listarei aqui algumas influências que essa banda tem, isso dará uma noção quase precisa do que eles tocam. Influências essas que são claras de perceber ao ouvir as músicas.

Entre as bandas declaradas como inspirações majoritárias dessa dupla americana (fonte : Facebook) aqui jaz algumas cujo julgo ser as melhores :  Ulver, Taake, Bathory, Eikenskaden, Neurosis, Darkthrone, Enslaved, Alpinist, Skitsystem, Fall of Efrafa.  

Se tentássemos adivinhar o som da banda por essa pequena lista, não seria difícil presumir, que o som sairia um tipo de Black Metal Crusteado. E não estaríamos de todo errado. No entanto, acho que seria um tanto simplista de nossa parte.

Cara Neir é mais que Black Metal com influências de crust. É claro que temos essa parte evidenciada pelos glamurosos d-beats (pelos quais nosso querido amigo Matheus é fissurado) e pelas linhas de vocais em algumas músicas.  Mas não podemos esquecer de momentos que encontramos principalmente nas duas últimas faixas do disco. As mais cadenciadas, as mais emocionantes e talvez, por consequência, as mais singulares.

A melhor característica desse álbum, sem contar sua mistura absurda de estéticas e elementos diferentes, é a manipulação temporal que ele faz na gente. O que eu quero dizer é que o álbum todo decorre em 39 minutos terrestres, um tempo razoavel/curto para o que estou acostumado nos full lenghts. Mesmo assim, tem-se a impressão, devido a grande gama de caminhos que eles exploram, que você está a mais de uma hora ouvindo o álbum. É tanta coisa para se absorver, para se prestar atenção, para bater a cabeça, para achar bonito que literalmente você se perde no brilhantismo do álbum.

Talvez isso aconteça por que hora parece que se está escutando um Technical Death Metal, hora um Black Metal moderno, hora uma banda Sueca de Crust e, por último, hora uma banda de Post-Rock. (Esse tal de Post-Rock sempre aparaece por ai).

Mesmo eu falando de Cara Neir como se fosse a banda mais eclética do mundo, eu afirmo que a principal fonte de vontade e força vem do nosso querido black metal. E não é atoa que ele está sendo postado aqui e recebendo essa nota digna de trepada.

Não é Black Metal Puro, é Experimental-Hardcore-Punk-Crust-Black Metal segundo eles. Para mim é simplesmente muito foda. E que se fodam você e a senhora tua vó se acharem ruim. Já viu jeito melhor de terminar um post?

[4,5/5,0]

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Altar of Plagues - Mammal (2011)


Foda-se se é Post-Black Metal, foda-se se são Hipsters (nem são), foda-se se não usam corspe paint, foda-se se a temática é ecológica e anti-urbanista. Não me venha com churumelas, por que isso aqui é Black Metal e é bom para caralho, porra!

Altar of Plagues é mais uma dessas bandas de jovens que são muito talentosos e não chegam perto da perfumaria clássica de Black Metal. Pelo menos não do clássico e tão requisitado por muitos fans "tr00". A mãe-diversidade-mor que surgiu no Black Metal permite sonoridades de bandas como AoP nascerem e se tornarem grandes jóias musicais para nós. E é claro que isso só é possível por que essas bandas não se limitam com os rótulos, o que causa o crescimento exponencial da banda e também da qualidade das músicas. O engraçado é que está se tornando comum a experimentação no Black Metal e já nos confundimos o que é puro ou não-puro ou se o ato de fazer essa mistura de estilos faz tempo que ocorre ou não. Pouco importa, porra! No entanto, é por essas e outras que é no Black Metal que eu encontro minhas bandas preferidas. Há tantas possibilidades musicais/artísticas que faz um amante de música correr para o abraço.

Voltando a banda da vez: os jovens irlandeses, desde o primeiro álbum, fazem um som similar a Wolves in the Throne Room com influências de Post-Hardcore e com mais peso. E já no primeiro álbum nos mostrou um som digno de estar na nossa estante. Com Mammal a reputação de Altar of Plagues só sobe.

O álbum é denso e afiado assim como sua maravilhosa produção. Na primeira música (a melhor na minha opinião) quando a guitarra entra junto com a bateria é impactante de uma forma que arregalará os olhos dos despreparados. Se você tiver ouvindo em um sistema de som ótimo, você sentirá toda a potência da guitarra e entenderá o que estou dizendo. A música é da mesma forma como a maioria das outras música do AoP: linear e objetiva. Tudo nos eixos  sem muito o que inventar nas estruturas da música. Mas sempre alternando a velocidade de algumas partes como sempre fez, desde o White Tomb. Talvez seja por isso que esse álbum tanto me encantou : de certa forma ele é bem simples. Direto na cara: riffs, bateria e vocal.

A respeito da subjetividade do álbum, para os mais criativos e sensíveis, ele terá um sentimento bem pesado e depressivo. E é isso mesmo que queria ser passado. A introspecção relacionado à dicotomia  existência/morte é o assunto chefe do álbum. E é fácil sentir essa angústia ao decorrer das músicas.
E a fluidez só acentua essa atmosfera séria. Coisa que é incrível, cada música parece estar fortemente ligada com a anterior/próxima. Hoje em dia essas características no Black Metal, em minha opinião, remetem a uma palavra : Maturidade. Foi exatamente o que aconteceu de 2009 para cá. A banda achou um som único mesmo com tantas influências notáveis de outras bandas e estilos.

Fique atento que Mammal não é álbum fácil de ouvir devido a esse grande panorama sonoro que merece (!) ser ouvido por completo. As músicas são expressivas e contém muito caldo a ser absorvido. Eu espero mesmo, que muitos aqui deem a chance e se comprometam a ouvir o que os Irlandeses tem a mostrar. Talvez vários vão achar que exagerei ao falar desse álbum. Porém, permitem-me pagar pau para esse petardo que ficou por muito tempo em minha playlist. Considero um dos melhores álbuns de 2011, fácil.

PS: Fiz questão de upar a capa do lançamento da Profunde Lore, muito mais massa que essa da Candlelight [Capa]

[4,5/5,0]

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Circle of Ouroborus / Drowning the Light - Moonflares (Split - 2011)


Split com a melhor capa que já vi. (Se alguém souber da fonte dela, agradeço a informação)

Nesse split rola um lance interessante que não costumo ver nos outros splits. A temática das músicas das duas bandas converge para o mesmo foco. E mesmo a sonoridade das duas sendo diferente, meio que cria um clima único para Moonflares.


Drowning the Light eu conheço bem e já ouvi bastante coisa. E a parte do australiano no disco permanece a mesma ideia de música que ele vem compondo nos ultimos lançamentos. Forçando bastante as melodias bonitas constrastando com a crueza da produção. Atrevo dizer que Drowning the Light tem composto músicas no estilo de bandas Post-Black Metal e também se familiarizando com a conterrânea Woods of Desolation (vide música "Silver So Cold On My Eyelids" - tem riffs bem parecidos. )

Agora em relação a Circle of Ouroborus eu não posso dizer que ouvi bastante, ouvi uma coisa e outra e ainda mais com a extensa coleção de lançamentos não posso fazer um apunhado geral dessa banda finlandesa. Sei que ela é não toca Black Metal puro e sempre experimentou no seu estilo, misturando elementos de outros gêneros musicais mais tranquilos e não extremos.

Dos dois  lados do split só temos a ganhar. Circle of Ouroborus nos apresenta um Black Metal misterioso e bem atmosférico que com seus sintetizadores e guitarras reverberizadas consegue me acalmar e me deixar melancólico fácil fácil. Mas o que eu mais gosto são os vocais com suas variações intensas. De gritados à limpos. (Eu simplesmente amo a primeira música, estou viciado e toda vez que ouço ainda me impressiono com o clima que ela traz.)

Drowning the Light também não decepciona. Como já dito, Azgorh não mudou a fórmula e mesmo depois de 48 lançamentos lançados até agora, ainda consegue agradar sem mudanças radicais no estilo de fazer música.

Aconselho para quem curte um Black Metal não-ortodoxo, depressivo, melancólico e bonito. Não há tempo para sentir raiva.

[4,0/5,0]

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Woods Of Ypres - Woods IV, The Green Album


À medida que a gente chega na idade adulta, todos nós (ou quase todos) passamos pela seguinte situação:
Imagine que você tem um amigo do qual você gosta muito. Não importa a quanto tempo você o conhece, vocês simplesmente têm muita afinidade. Agora imagine que com o tempo ele começa a demonstrar algumas atitudes que te irritam: sejam elas manias irritantes, picuinhas, ou pequenas faltas de respeito. Quando nos deparamos com esse tipo de coisa, nós nos forçamos (em respeito à nossa afinidade com esse amigo hipotético) a lhe dar várias novas chances para ganhar de volta nossa simpatia. Com tempo, ou nós resolvemos os mal-entendidos que criavam essa relação conflituosa, ou deixamos de falar com esse amigo. Se a segunda situação acontece, o que nós sentimos por essa pessoa é uma mistura de raiva e tristeza, e tentamos racionalizar o que aconteceu com ela para que ela se tornasse tão insuportável.

 Acho que essa é uma boa analogia pra explicar por que esse álbum é tão difícil de entender e analisar.

 Pra quem tinha se encantado tanto com o primeiro álbum do Woods Of Ypres, o "Pursuit Of The Sun...", o "Green Album" veio como um banho de água fria. Por muito tempo não consegui entender qual é a desse disco, nem porque eu não conseguia ouvir ele com tanta alegria igual eu ouvia os outros lançamentos da banda. Depois de muito tempo pensando, eu cheguei a uma ideia de quais são os defeitos do "álbum verde":

1: O Woods Of Ypres quis se distanciar do som "agallochiano" que fez nos primeiros dois discos (nota: apesar do nome, o Green Album é o terceiro disco da banda), o que por um lado mostra certa independência por parte do grupo canadense, mas por outro jogou a banda numa espécie de caos musical, onde eles parecem não saber mais por que caminhos estéticos o som deles deve percorrer. Como resultado disso, o "Green Album" soa como uma salada mista. O próprio vocal do David Gold, embora esteja mais encorpado de modo geral, varia de música pra música, sem saber direito onde repousar. Quando eles resolvem também puxar pra um lado mais hardcore, as músicas caem muito de qualidade.

2: O mesmo David Gold, cabeça da banda, parece ter tido um caso agudo de dor de cotovelo quando gravou essa parada toda. E pra aqueles que nunca sofreram desse mau, eu explico aqui: quando você tem dor de cotovelo você fica meio retardado mesmo. O teu gosto musical fica mais brega, e você começa a se expressar da maneira mais óbvia e direta possível. Só isso explica por que diabos o grupo gravou "Shards Of Love" e "Move On!", músicas melosas até não poder mais. Sério! "Shards..." soa como uma "Unforgiven" (é, a do Metallica) moderna e piorada. As letras também..... oh meu deus, as letras.... Apenas ouçam "Wet Leather" que vocês vão me entender. Geralmente dá pra ignorar letras ruins numa música de Black Metal, mas...

3: A banda, nos seus momentos mais bem-resolvidos, resolveu apostar mais no lado Doom do seu som. Não que isso seja ruim, mas quando o disco tem por volta de um cuzilhão de músicas, o álbum soa meio arrastado e sonolento.

Tá, mas aí você me pergunta por que eu resolvi postar esse disco e por que eu vou dar a nota que eu vou dar. Simples: apesar de tudo ele tem momentos fantásticos. "Everything I Touch...", "Dirty Window Of Opportunity" e "To Long Life In The Limbo Union" são muito boas. Mas a melhor música do álbum e, de longe, uma das melhores músicas do Woods é sem dúvida "The Mirror's Reflection". Sério, só essa música já vale pelo disco todo!

 Enfim, espero que Woods Of Ypres se redima no futuro.

[3,0/5,0]


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7 comentários:

  1. Vai se fuder, cadê o resto de 1998 pra baixo?

    Aristarte.

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  2. https://soundcloud.com/mongebm se puderem dar uma sacada, ficaria grato!!

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  3. as bandas são boas em questão de sonoridade,
    mas como o foco é anti-religião
    satã tambem nao se encaixa em meu perfil
    e não merece nenhum respeito e temor da minha parte.

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  4. Gostaria de saber o que houve com o antigo blog.

    Tome Cuidado!

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  5. poe la no google , rock in blog brasil , beleza

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  6. Parabéns pelas análises e pelos materiais disponibilizados - em sua maioria, difíceis de se encontrar.

    ~Luminus: Arte e Filosofia Black Metal
    http://luminusoctavius.blogspot.com

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  7. http://www.4shared.com/rar/WhLArZBRba/Dalmerots_kingdom_-_Hamistorin.html
    Primeiro e único album desta banda de black metal de Israel, confiram!

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